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Restrospectiva 2015

By 27 de dezembro de 2015 No Comments

It’s only after we’ve lost everything that we’re free to do anything.’ – Chuck Palahniuk, Fight Club

Se eu parar para analisar tudo o que aconteceu nesse ano, eu diria que 2015 foi um dos anos mais importantes da minha vida.

Vou procurar escrever apenas os principais acontecimentos e também deixar alguns objetivos para 2016, assim no próximo ano eu posso voltar nesse post e comparar com o meu de 2016.

PS: A ordem dos tópicos é completamente aleatória.

Viagens

A partir do momento em que fiz meu primeiro intercâmbio, viajar passou a fazer parte da minha rotina e não consigo me imaginar se acomodando em um único lugar pelo menos pelos próximos anos.

Em 2015 eu passei por 9 cidades em 3 países diferentes. Comparado aos meus últimos 2 – 3 anos, este foi, de longe, o meu pior ano, tanto por quantidade como por qualidade.

PS: Os pontos laranjas (minúsculos) são os lugares por onde passei em 2015.

mAPA-vIAGEM

Cheguei ao fundo do poço

De 2010 à 2013 eu fazia estágio remunerado pela faculdade. Assim que cheguei na Irlanda, logo no primeiro mês eu consegui um trabalho. Resumindo eu sempre tinha alguma fonte de renda. Sempre tive uma certa segurança financeira, mas em 2015 as coisas foram diferentes.

Comecei o ano literalmente sem nada. Quando fui mandado embora do meu trabalho (Outubro/14) já estava há algum tempo sem receber. Eu estava literalmente em modo de sobrevivência e pra piorar alguns amigos que moravam comigo estavam em uma situação até pior que a minha.

Voluntariado

Em Janeiro de 2014 eu já não aguentava mais o survival mode que estava vivendo (já estava ficando sem coisas para vender). Foi quando decidi fazer um voluntariado para cortar meus gastos. Fiz uma conta no workaway.info e no final de Janeiro estava embarcando para Baleal – Portugal para ajudar em um hostel de surfistas.

Meu Baleal

 

Eu tenho até um certo receio de falar que fiz um voluntariado porque era inverno europeu então não havia turistas, logo não tinha trabalho. Quando começou a chegar turistas eu já não era mais voluntário e o local passou a ser minha segunda casa. Depois de um bom tempo no frio e chuva da Irlanda, passar um período em Portugal foi revigorante.

O que deu errado

Intercâmbio Planet Comecei a trabalhar nesse projeto quando estava em Portugal, foram meses montando a estrutura e preparando o lançamento, e o erro aqui foi que deixei tudo no anonimato. Não divulguei o projeto o bastante, mesmo no período de desenvolvimento eu deveria ter colocado um MVP no mercado para juntar feedbacks da audiência, o que me levou ao segundo e maior erro do projeto.

Enquanto desenvolvia o IP, fiz tudo pensando no que EU achava que seria uma solução fantástica. Eu estava resolvendo o MEU problema ao invés de solucionar o problema da minha audiência. Só recentemente quando comecei a conversar com minha audiência que percebi o erro fatal que cometi.

Enquanto eu pensava que tinha um produto ideal, minha audiência queria uma coisa completamente diferente. Agora estou tendo que fazer uma reformulação completa por conta de um erro estúpido que cometi.

Procrastinação – Levei 8 meses para colocar o Intercâmbio Planet no ar. Entre o período em que fui mandado embora (já estava sem dinheiro) até o momento que decidi fazer voluntariado, foram 4 meses.

No meu último projeto, Emigrando, eu trabalhei por 2 – 3 dias para finalizar a versão Beta (do 0 ao 100% foram 2 – 3 dias), mas do período em que eu deveria ter começado até o lançamento foram 45 dias. E o que eu estava fazendo para enrolar tanto assim? PROCRASTINANDO.

Eu simplesmente não terminava o que começava, era terrível. Eu tinha 1 – 2 dias super produtivos mas quando chegava nos 90% começava a procrastinar. Começava a assistir seriados, jogar, fazer coisas que não acrescentavam nada na minha vida e só voltava a trabalhar nos projetos quando já era muito tarde.

O que deu certo

Deixei minha Zona de Conforto – Eu poderia considerar meu primeiro intercâmbio como sendo o momento em que deixei minha zona de conforto. Mas na realidade quando fiz intercâmbio eu viajei com 3 dos meus melhores amigos, consegui um ótimo trabalho logo no primeiro mês, eu praticamente não senti tanta diferença (tirando a qualidade de vida, segurança, organização, etc…).

Quando fui para Portugal, eu viajei sozinho com apenas €120 no bolso e sem um plano B. Estava indo para um lugar desconhecido em que eu não conhecia uma única pessoa. Na Irlanda eu estava longe da minha família mas não dos meus amigos, já em Portugal eu estava longe de todos. Foi nesse momento que eu senti que tinha deixado minha zona de conforto.

Desapego Material – Eu costumava torrar o meu salário no meu guarda-roupa ou comprando bens materiais que acabava não utilizando. Se eu chegasse no final do mês com €500, por exemplo, eu começava a gastar descontroladamente, era quase que uma necessidade torrar todo o meu dinheiro.

No período em que estava desempregado eu tive que vender várias coisas para poder pagar aluguel/contas e comprar comida. E mesmo que eu não utilizasse o que eu vendia, eu de certa maneira me sentia preso a essas coisas, bizarro.

Antes de ir pra Portugal eu tomei a decisão de deixar tudo para trás, não vender, de realmente deixar minhas coisas e partir com apenas um mochilão (padrão RyanAir) para o voluntariado. Hoje tudo o que eu tenho cabe em uma mochila e eu me arrependo de não ter praticado o desapego antes. Sou completamente feliz com essa ausência de bens materiais e não me vejo comprando mais que o necessário nem agora nem nos próximos anos.

Descobri meu segredo para Get Shit Done Eu sou uma pessoa que ama uma competição, acho que devido aos anos jogando basquete. Em 2015 eu comecei a me desafiar constantemente, seja para praticar exercícios, para aprender algo novo, surfar, etc… recentemente até comecei um desafio pessoal de criar 6 negócios digitais em 6 meses.

É quando eu começo esses desafios pessoais que eu sinto que sou mais produto, e eles acabaram se tornaram parte fundamental na maneira como ataco os meus projetos, e para 2016 já tenho muito mais desafios em mente.

Comecei a praticar a regra dos 80-20 no aspecto pessoal e profissional – Para os que não sabem essa regra defende que 80% dos efeitos vem de 20% das causas. No lado profissional seria algo como, 80% das suas vendas vem de 20% dos seus clientes, ou 20% dos seus produtos são responsáveis por 80% das suas vendas. E por ai vai.

Adquiri o hábito de tentar sempre identificar quais são os 20% que preciso fazer para trazer 80% dos resultados esperados. Faço isso ao ao abrir meu email, analisar meu To-Do diário/semanal, e todo meu cronograma de trabalho. Não significa que ignoro o resto, mas sempre procuro resolver esses 20% primeiro porque sei que se algo der errado (internet parar de funcionar, etc…) eu vou ter resolvido o que é crucial/essencial para os meus negócios funcionarem.

No aspecto pessoal eu apliquei a técnica nos meus relacionamentos, na maneira como lido com pessoas em geral. Um exemplo disso é nas amizades, 20% dos meus amigos eram responsáveis por mais ou menos 80% da felicidade que as amizades no geral me proporcionavam. Não quero dizer que parei de falar os outros ou que você deva fazer o mesmo, até porque no empreendedorismo manter um grande grupo de amigos/colegas é muito importante. A realidade é que passei a focar mais nos 20% e isso me ajudou a ser bem mais eficiente tanto no lado pessoal como no profissional.

Aprendi a gostar da minha própria companhia – Quando cheguei no hostel em Portugal (voluntariado) eu estava sozinho, era inverno e não havia turistas, e os donos do local moravam em outra cidade. Eu estava literalmente sozinho em uma vila (2k habitantes e olhe lá).

Sempre fui uma pessoa que não gostava de ficar sozinho (a não ser em casa). Se eu quisesse comer fora, passear, ou o que quer que seja, eu sempre chamava alguém para ir junto. Eu ficava incomodado quando saia sozinho, era uma sensação de total desconforto.

As primeiras semanas em Portugal foram terríveis nesse aspecto, mas também foi um tempo de uma profunda reavaliação pessoal. Tinha chegado no fundo do poço e sentia que precisava mudar o que eu era como pessoa.

Portugal foi a melhor “escola” da minha vida porque foi lá que eu aprendi muitas coisas, mas principalmente, aprendi a gostar da minha própria companhia, aprendi a rir de mim mesmo e a não me levar tão a sério.

Considerações

É incrível como tudo o que você precisa fazer é dar o primeiro passo, e realmente acreditar no seu objetivo. Se você fizer isto pode ficar tranquilo que as coisas vão acontecer.

Eu estava com medo de ir para Portugal, mas parei de inventar desculpas e fui. Cortei meus gastos para €0, em 1 mês eu deixei de ser voluntário e passei a ser parceiro de negócios dos donos do local. Eles viraram algo como uma segunda família e o lugar virou minha segunda casa.

Eu tinha o sentimento de que não possuía o necessário para montar um negócio digital. Não tinha feito faculdade na área e não tinha o talento e skills necessários para desenvolver sites. Em 1 ano fui de 0 à 4 projetos digitais, +1 saindo na próxima semana, e não tenho o menor problema em desenvolver sites.

Sobre meu grupo de amigos, como as coisas mudam em apenas 12 meses. Neste mesma época em 2014 eu estava com meus amigos em Dublin, todos solteiros (ou em início de namoro) e sem motivos para sair do país. Hoje 2 estão casados e se mudaram para o interior, outro se mudou para Barcelona, outro para os EUA e está quase casado, outro para o sul de Portugal também quase casado, outros para o Brasil, e apenas um continua na Irlanda.

Eu que me imaginava “vivendo” um seriado FRIENDS, com uma galera morando bem perto, de frente pro outro, e se encontrando direto. Essa ideia já era. 😂

Definitivamente 2015 foi o ano mais intenso que eu já vivi, e isso o torna um dos melhores de todos, se não o melhor. E depois de tanto aprendizado e desafios, mal posso esperar por 2016.

Objetivos 2016

Não vou colocar todas as minhas metas porque algumas não posso revelar, é mais algo que eu posso reler no próximo ano e analisar o que eu alcancei ou não.

-Eu passei 3 meses morando a, literalmente, alguns passos do melhor local de surf em toda a Europa, e um dos melhores do mundo. Mesmo com a quantidade de tempo que eu tinha livre eu não aproveitei o quanto gostaria. Estou voltando para passar mais uma temporada no Baleal e dessa vez espero praticar surf o máximo possível.

-Quero participar de um MasterMind Group. Para os que não sabem, MasterMind Group é um grupo de pessoas com a mesma mentalidade (ex. empreendedores digitais) que se reúnem semanalmente/mensalmente para trocar dicas e informações. Esse tipo de grupo é extremamente benéfico para os participantes, e em 2016 pretendo participar ou começar um.

-Investir na minha saúde. Em 2015 eu comecei a praticar meditação e yoga e senti uma enorme melhora na minha produtividade, e em 2016 espero continuar me dedicando a estes dois. Ainda sobre saúde, quero criar o hábito de fazer exercícios físicos diários e melhorar a minha alimentação (mais verde na comida).

-Eu não sou de criar metas anuais, trabalho melhor em metas trimestais e semestrais, assim eu crio uma certa urgência para minhas metas e me sinto mais produtivo. Mas no meu calendário de metas este ano eu já coloquei uma meta para Dezembro: Me mudar para a Coreia do Sul. Isso é um pouco complicado para um nômade digital, mas eu realmente desejo passar um tempo (1 – 2 anos) na Coreia, já estou até estudando Hangul. Como uma das minhas metas semestrais inclusive, eu tenho que conseguir manter 30 minutos de conversa em Coreano com um nativo no idioma.

-Não parar de me desafiar. Assim que eu terminar o desafio “6 Nichos em 6 Meses” quero começar um de “180 sites em 180 dias”, basicamente montar um site diferente (100% código) por dia. Vou estar estudando enquanto faço o desafio, assim posso aplicar o que vou aprendendo diariamente. Assim que terminar esse desafio quero começar um de criar “6 Apps em 6 Meses”, vou utilizando tudo o que aprendi de programação no desafio anterior para criar um aplicativo de celular por mês.

Com certeza eu esqueci muita coisa, mas acho que consegui passar o essencial de 2015 e um pouco do que espero para 2016. E se fosse não fez a sua retrospectiva eu recomendo que faça, mesmo que você não compartilhe com os outros. Caso tenha feito a sua e compartilhado, deixe o link abaixo.

Um Feliz Ano Novo para vocês. 🎆🎆🎆

Daniel Cavalcante

Author Daniel Cavalcante

Digital Entrepreneur | Lifehacker | Slow Traveler | Blogger | Nomadic | 6 Niches in 6 Months | Currently: Baleal, PT

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